Daily Archives: 20/05/2012

Por isso a gente acabou – Daniel Handler

Certos relacionamentos tem fim trágicos e ficam com aquele aspecto inacabado. As lembranças, que antes eram tão vivas, vão parar em uma caixa de memórias idiotas com ingressos de cinema, papéis de bala, bilhetes e coisas que não significam nada para ninguém além de você. Por isso a gente acabou é sobre essas lembranças, essas caixas que guardam mais que objetos sem sentido, mas sentimentos – o feeling – e a memória de algo que foi ou poderia ter sido. É isso que Min compartilha conosco na carta que escreve para Ed, seu ex-namorado. A carta que vai junto com a caixa, a caixa que guarda todas as lembranças e histórias que fazem Min lembrar de seu relacionamento fadado ao fracasso, porque ele era cocapitão do time de basquete e ela era “diferente” e “das artes”.
Estou escrevendo, nesta carta, toda a verdade sobre o que aconteceu. E a verdade é que, porra, eu te amei demais. (Página 10)

Por isso a gente acabou é um daqueles livros difíceis de falar sobre, porque eu acho – na verdade, tenho certeza – que a Min é a personagem mais parecida comigo que já tive contato até hoje. Não, eu não sou cinéfila como a Min, mas acho que até isso dá para adaptar para algo que se pareça comigo, pois a obsessão da Min em falar de cinema a toda hora e comparar tudo ao cinema pode ser comparada à minha obsessão por livros, porque eu sempre comparo tudo com livros. E a Min é real. Daquele jeito real que chega a irritar, porque eu passei o livro inteiro mandando a Min parar de falar daquele jeito que ela falava, parar de pensar o que ela pensava, porque era irritantemente parecido com meu modo de falar, pensar e, às vezes, até agir. Por mais errado que fosse em certos aspectos, eu me identifiquei com a Min. Me identifiquei de um jeito tão forte que, ao final do livro, eu estava com lágrimas nos olhos porque era muito “ai meu Deus, eu entendo. Eu sei como é, Min”. E eu acho que a gente se daria muito bem.

O mundo entrou nos eixos de novo, o sorriso é por isso. Eu te amava e aqui vão as suas coisas, para longe da minha vida onde você deve ficar, o sorriso é por isso. (Página 12)

Eu já vi gente falando que a Min não parece uma menina de 16 anos, que ela é madura demais, bla bla bla. Talvez eu fosse uma menina de 16 anos muito irritante e diferente, mas eu aos 16 era como a Min. Ela é boba, apaixonada, ingênua… Só que, ao invés de se preocupar com sapatos, se interessa por filmes. É porque, por mais que o Ed esteja errado, ele está certo ao dizer que a Min é “diferente”. E eu gostei dela exatamente porque, mesmo sendo igual, ela era ela mesma, mesmo que ser ela mesma significasse ser alvo de chacotas em alguns momentos, não se encaixar em outros.
O livro tem ilustrações lindas de cada objeto que tem dentro da caixa. Elas são coloridas e completam a experiência de leitura, porque é como se aquele texto não pudesse existir sem elas, como se fossem um só corpo. E o livro tem tantas citações lindas…
E o Ed? Ele é só alguém que não sabia lidar com aquele tipo de coisa, mas que provavelmente aprendeu muito com a Min. Eles dois aprenderam muito, só que para isso eles precisaram sair com corações partidos. Existe culpa, mas é como se os dois soubessem que nada daquilo daria certo, mas ainda assim estavam tentando – e talvez isso que valha mais no “amor” que eles sentiram em algum momento: a tentativa.
Esse livro não é exatamente sobre o momento, o motivo final que fez os dois terminaram, mas sobre as pequenas coisas que fizeram que eles chegassem até lá. E esse livro me trouxe, como a Min chamaria, várias imagens indeléveis à memória.
Entre os livros que falam sobre relacionamento, é esse que achei o mais real de todos. Quando eu vou pensar no que dizer sobre ele eu só fico “esse livro, nossa, nossa, esse livro, nossa” – porque eu realmente não sei explicar o quão lindo ele é, o quanto ele mexeu de um jeito inexplicável comigo. E então eu terminei, olhando a última página, com a ilustração da mesa da cafeteria com a xícara quebrada e eu só pensei em todas as experiências e lembranças que esse livro remexeu.

Eu amo, sinto falta, odeio ter que devolver, essa coisa complicada, foi por isso que a gente ficou junto. (Página 150)

Ele é lindo, é mágico, dói e faz sorrir, tudo ao mesmo tempo. Mexe com memórias tristes e boas, porque é disso que relacionamentos são feitos. Ele fala sobre amor adolescente, talvez não do jeito típico, mas de um jeito que parece verdadeiro, puro. Ed e Min foram um casal que viveu intensamente esse romance adolescente, tão rápido e tão profundo, mas de um jeito que talvez muitos não viverão em uma vida.
O que mais eu posso dizer? Eu amei esse livro. A escrita do Handler é mágica, é como se você estivesse dentro da cabeça da Min e sentindo o mesmo que ela. As coisas se encaixam, se arrumam e ele narra com muito sentimento. As ilustrações da Maira Kalman são complementares ao livro.
Se eu posso dizer mais alguma coisa é: leiam, leiam, leiam, leiam. Eu acabei de ler e já estou com saudades, pensando se posso ler mais uma vez. Não sei se vai agradar a todos, mas me fez tão bem lê-lo e, com certeza, está na lista de melhores do ano. Eu amei esse livro pelos detalhes, em como eles aconteceram e em como ele entrou meio sem querer na minha vida e se transformou em um livro que eu não sei mais como descrever. Se for para dizer a verdade, acho que esse entrou para minha lista de preferidos para a vida.

Uma herança de amor – Lycia Barros

O pai de Amanda morreu quando ela era criança, sua mãe era alcoólatra. Sua avó materna fez o papel de mãe até sua morte, quando Amanda fez 23 anos de idade. Durante sua adolescência, ela viveu uma fase conturbada, exatamente pela ausência da mãe. Quando a avó morre e ela se vê sozinha no mundo, precisa lidar com o último pedido: para herdar sua herança, ela precisa ir até a casa onde sua mãe mora e revê-la após tantos anos.
Dilemas familiares são o carro chefe do mais recente romance de Lycia Barros. De fazer suspirar e deixar as pernas bambas com tantas cenas fofas, Uma herança de amor se tornou um dos meus preferidos da Lycia, que já é uma das autoras nacionais que eu mais gosto. A Lycia escreve ficção cristã, mas é do tipo que qualquer um pode ler, porque ela não tenta empurrar isso para as pessoas, é apenas uma característica dos personagens – e isso, logicamente, guia algumas de suas atitudes, mas eles não tentam ser “perfeitos”, eles são humanos e fazem coisas certas e erradas, o que os diferencia é que eles tentam evitar as coisas que eles sabem que, dentro da fé deles, não é correta

O livro fala sobre perdão e recomeços, mas também tem uma história de amor linda e com cenas muito fofas e engraçadas. É impossível não torcer pelo casal principal ou não torcer para que as coisas entre Amanda e sua mãe se resolvam.
Além disso, a história tem personagens fofíssimos. A minha preferida é a meia-irmã da Amanda, a Ivy. Ela é muito fofa e esperta, uma das que mais dão “empurrõezinhos” para a história acontecer. Mas o livro também é repleto de lições lindas sobre recomeços e tem muitas reviravoltas. Estou louca pela continuação, porque vai ter.
O Adam é um cara tão puro e genuinamente bom… Não do tipo perfeito, porque ele é bronco e todo atrapalhado, mas sim do tipo gente de verdade. E ainda tem um irmão gêmeo! Mas, apesar de bonitão como Adam, Rafael é bem alheio ao romance, mas tudo tem uma explicação no livro. O legal é que todos os personagens tem um background emocional.
As coisas que não gostei foram bem pontuais, achei que em alguns pontos a história tem uma queda de ritmo, mas nada muito significativo, porque no geral se sustenta muito bem. Dá para notar um amadurecimento muito grande na escrita da Lycia e o livro ficou empatado para mim com Entre a mente e o coração. Ainda não decidi qual é o melhor!
Eu recomendo os livros da Lycia no geral. São uma literatura muito boa e gostosa, e não se assuste com o fato de ser “ficção cristã”, porque é para todas as pessoas. É uma lição de vida muito bonita e bem escrita.

Meu nome é Iris Figueiredo, tenho 21 anos e me formei em Comunicação Social pela UFRJ. Sou autora dos livros Confissões On-Line e Dividindo Mel. Além dos livros, também sou apaixonada por músicas, filmes e viagens. Esse é um espaço criado para compartilhar um pouco sobre tudo isso. Saiba mais.


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Confissões on-line

"Confissões on-line" é meu segundo livro e foi lançado em novembro de 2013. Saiba mais

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"Dividindo Mel" é meu primeiro livro e foi lançado em dezembro de 2011. Saiba mais
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