Daily Archives: 02/05/2012

Meus estranhos hábitos de leitura

Ler para mim é um ritual e, por mais que meu ritual não tenha muita pompa e reverência, ele continua sendo um momento importante – mesmo que esse momento seja ler em pé, no ônibus lotado às sete da manhã (o que acontece com mais frequência do que deitadinha na minha cama, infelizmente).
Eu tenho hábitos estranhos de leitura, manias que fui adquirindo ao longo do tempo e continuam até hoje. Vão desde os respeitos básicos com o livro como não dobrar a ponta das folhas, não usar a orelha para marcar páginas, não dobrar o livro como um caderno com espiral até coisas mais bizarras.
Não como enquanto leio, não por medo de sujar as páginas, mas sim pela certeza que isso vai acontecer. Toda vez que eu tentei, meu livro ganhou uma marca permanente. A mesma coisa para beber alguma coisa enquanto leio.
Houve a época que eu estava com mania de tags para marcar as partes preferidas, mas a mania acabou quando acabou o pacotinho de tags e eu esqueci de ir à papelaria comprar mais – mas quando usava tags, sempre usava uma que combinasse com a capa do livro, para ficar bonitinho.

O livro do vizinho é sempre mais interessante

Imagem: Books on the subway
As pessoas vivem me perguntando como arranjo tempo para ler tantos livros diferentes em tão pouco tempo. Minha vida não funciona sem leitura, eu não funciono sem um livro na bolsa – na verdade, sem dois livros na bolsa, porque sempre estou com mais de um dentro dela. A verdade é que leio na rua, em cada tempo livre que arranjo. Enquanto espero o ônibus, nas barcas, enquanto atravesso a rua ou estou presa em um engarrafamento. E sempre leio mais de um livro ao mesmo tempo.
Nessas de ler na rua, já fui quase atropelada, já caí em canteiros na calçada, tropecei em buracos e perdi a parada certa do ônibus inúmeras vezes – e o ônibus também. Apesar de viver lendo perigosamente por aí, nada se compara às manobras radicais que faço para ler o título dos livros que outras pessoas estão lendo pela rua.

Tenho percebido um aumento considerável de pessoas lendo no metrô, barcas e ônibus – o que é tão legal! O best seller dos transportes públicos por aqui tem sido Guerra dos Tronos e eu me pergunto como alguém consegue carregar aquilo para ler no ônibus, de tão grande que é. Geralmente meus livros “de bolsa” são no formato 14×21 e não podem ser muito grandes, especialmente porque eles precisam dividir espaço com outro livro – já que eu me canso fácil e preciso ter sempre dois livros à mão, para alternar a leitura.
Eu tenho muita curiosidade em saber o que as pessoas estão lendo, por isso me contorço completamente para ler o título na capa ou lombada do livro do vizinho. Já interrompi pessoas durante a leitura (muito feio e inconveniente, eu sei) para comentar algo do livro, por exemplo. Eu adoro saber o que as pessoas estão lendo por pura curiosidade e eu fico imaginando se alguém fica de olho no meu livro enquanto eu leio.
Mas uma coisa que eu morro, morro de raiva é quando sinto que a pessoa está lendo por cima do meu ombro. Uma vez eu estava lendo A Mulher do viajante no tempo e estava em uma daquelas cenas mais fortes entre a Claire e o Henry e quando eu olho, uma senhora simpática está lendo por cima do meu ombro. Minhas bochechas começaram a ficar vermelhas, não por um motivo aparente, mas parecia invasão de privacidade, sabe?

Mas eu entendo completamente essa necessidade de espiar por cima do ombro e saber o que os outros estão lendo. Na realidade, é uma invasão de privacidade, pois livros dizem muito sobre você. E imaginar quem aquele completo estranho é através do livro que ele lê é muito interessante. Posso soar até maluca, mas com frequência eu olho para algum desconhecido e começo a imaginar sua personalidade pelo livro que ele está lendo no transporte público.

No meio disso tudo também tem a curiosidade e aquela ideia de que você pode encontrar um livro maravilhoso por “sugestão” de um estranho. Eu sempre fico de olho na expectativa de que, por acaso, algum livro visto ao acaso na mão de alguém no ônibus, pode acabar se tornando meu favorito um dia. Até agora isso não aconteceu.

Outro motivo para espiar a leitura do meu vizinho é a “paixão platônica do transporte público”. Nem olhe para mim desse jeito, porque você provavelmente já se encantou por alguém em um trajeto de metrô por aí. Esses dias um rapaz muito bonitinho estava lendo O Rei do inverno enquanto esperava para embarcar nas barcas. Quase caminhei até ele e dei “oi”, afinal, o gosto para escolher aquele livro provavelmente já era indício que éramos almas gêmeas. Isso também serve para você não se encantar à toa com sua paixão platônica de transporte público: se ele estiver lendo um livro que você não gosta, já serve para descartá-lo dos seus amores temporários.

Ler em transporte público é parte da minha vida e de quase todo mundo que tem uma rotina agitada e aproveita os instantes no ônibus para colocar a leitura em dia. Quantas vezes caí em cima de outro passageiro por estar lendo em pé em um ônibus lotado e quantas vezes me encantei ao ver alguém ler um livro que eu amava – e quantas vezes já pedi licença a um leitor de ônibus para comentar alguma coisa sobre determinado livro? Eu tenho certeza que não estou sozinha nessa.

Isso tudo é porque eu descobri um tumblr (sempre o tumblr) que se chama “Books on the Subway” e tem fotos de pessoas lendo no metrô (pena que quem o criou, não atualiza mais). E no dia do trabalhador, essa é minha homenagem para todos que, mesmo com as dificuldades do dia a dia e os trajetos engarrafados até o trabalho, não abrem mão do prazer da leitura.

Será que rola uma versão brasileira desse tumblr? E vocês, como se comportam lendo na rua?

Meu nome é Iris Figueiredo, tenho 21 anos e me formei em Comunicação Social pela UFRJ. Sou autora dos livros Confissões On-Line e Dividindo Mel. Além dos livros, também sou apaixonada por músicas, filmes e viagens. Esse é um espaço criado para compartilhar um pouco sobre tudo isso. Saiba mais.


Categorias populares
Confissões on-line

"Confissões on-line" é meu segundo livro e foi lançado em novembro de 2013. Saiba mais

Adicione no Skoob e Goodreads.

Dividindo Mel

"Dividindo Mel" é meu primeiro livro e foi lançado em dezembro de 2011. Saiba mais
Adicione no Skoob e Goodreads.