Daily Archives: 28/02/2012

Entrevista: Carol Sabar

Mineira de Juiz de Fora, Carol Sabar é autora do livro “Como (quase) namorei Robert Pattinson“, publicado em 2011 pelo selo Jangada, do Grupo Editorial Pensamento.
Carol é engenheira de produção e caiu de pára-quedas como escritora quando teve uma ideia super engraçada no trânsito, enquanto voltava para casa, presa em um engarrafamento. O melhor de tudo é que Carol deixou as ideias fluírem e presenteou a todos nós com um livro super agradável e divertido.

As maçãs, que viraram símbolo da saga Crepúsculo, acompanham Carol por onde vai: maçãs-do-amor, marcadores com maçãzinhas e até mesmo a caneta que ela autografa. Afinal de contas, o livro teve um empurrãozinho da saga Crepúsculo para ser escrito, já que Duda é uma fã declarada da série.

Agora que conhecemos essa mente fértil, ficamos doidos querendo saber o que mais vem por aí! Divertida como seu livro e sua protagonista, Carol contou um monte de novidades para nós, falou sobre o processo de escrita e publicação e confessou que adoraria que o Taylor Lautner passasse protetor solar nela. E uma novidade deliciosa no fim da entrevista: Duda voltará para as páginas e vai aprontar todas no Rio de Janeiro! Quer saber mais do que vem por aí? É só ler a entrevista na íntegra.

A Duda é tão fã de Crepúsculo que se autodenomina Crepuscólica! O quanto você é Crepuscólica e o que sua protagonista tem de parecido com você?


Eu adoro a saga Crepúsculo, já li os livros mais de uma vez, assisti a todos os filmes. Mas não existe comparação entre mim e Duda. Ela é muito mais Crepuscólica do que eu! No início do livro então… seu comportamento chega a ser obsessivo. Eu, por exemplo, nunca sonhei com o Robert Pattinson passando óleo bronzeador nas minhas pernas. Nem acordada, que fique aqui documentado. Quer dizer, quase… hahaha.


A ideia de contar a história da Duda surgiu quando você imaginou o Robert Pattinson passando protetor solar numa fã e acabou se transformando na cena inicial do livro. Qual ator de Crepúsculo, além do Robert Pattinson, você gostaria que passasse protetor solar em você?


Taylor Lautner, claro! Para falar a verdade, no quesito óleo bronzeador, acho que o Taylor se sairia bem melhor que o Robert, que tem um jeito londrino meio estabanado de ser, ia escorrer óleo para todo lado, eu ficaria cheia de manchas nas pernas… O Taylor, ao contrário, parece mais cuidadoso, além de ter as mãos enormes, cabe óleo pra caramba naquelas mãos, fala sério!

Eu e Carol na XV Bienal do Livro do Rio

De Engenheira de Produção à escritora… Como você caiu no mundo das palavras e o que há de semelhante, na sua opinião, entre as duas profissões que você escolheu? Como você as concilia?


Sempre gostei de números e letras. Tenho mais facilidade com os números, porém. A lógica flui naturalmente para mim. Com as histórias, as ideias fluem bem, mas colocá-las no computador dá um trabalhão. Posso demorar um dia inteiro num parágrafo, reescrevendo, experimentando palavras, ao passo que resolver uma equação cabeluda às vezes me toma uns minutos.

O raciocínio lógico me ajuda a organizar as ideias, a enxergar a história como um ciclo fechado, com início, meio e fim. Gosto de pensar no livro em número de palavras, em percentual de acontecimentos. Tento estabelecer algumas regras. Se eu vou escrever uma história de 100 mil palavras, por exemplo, até as 5 mil eu me proponho a apresentar um bom conflito. Até as 10 mil, um conflito secundário. Por volta de 90 mil, a maioria dos conflitos secundários deve ter sido resolvida, para que me sobre tempo de narrativa para trabalhar no conflito principal ou, quem sabe, apresentar um anticlímax lá pelas 95 mil palavras, um anticlímax que deixe o leitor de queixo caído (às vezes com raiva) e o faça engolir as últimas páginas como se disso dependesse a sua vida. Isso é o que eu planejo. Mas a lógica costuma cair por terra quando as personagens ganham autonomia (lá pelas 10 mil palavras) e se recusam a passar pelos caminhos pré-estabelecidos. É uma loucura.

Não foi fácil conciliar minhas duas profissões. Como (quase) namorei Robert Pattinson foi escrito à noite, nos fins de semana e feriados. Mas valeu a pena.

Carol visita escolas e recebe carinho dos leitores

Como é a sensação de ver seu livro nas prateleiras das melhores livrarias, nos grandes veículos e recebendo uma boa crítica? Você esperava essa recepção calorosa dos leitores?


Escrever é uma questão de amor. Publicar é um ato de coragem. Todo autor que tira seus textos da gaveta e os publica deseja ser lido, não necessariamente ser aceito, e essa vontade supera qualquer medo ou insegurança. Há que se ter desprendimento. A partir do momento em que o texto chega às livrarias ele não pertence mais ao autor, mas ao leitor, que ganha o direito de se expressar sobre ele como bem entender. Essa é a graça. Essa é a razão. Sem a liberdade de expressão, a literatura estaria mais próxima da matemática, onde quase sempre não existe meio termo. Eu queria ser lida, simples assim. Mas, quando a leitura vem acompanhada de uma recepção calorosa, é tão gratificante que nem sei explicar, é um estado de graça. É o que me motiva a me aventurar por novas histórias, a me superar a cada texto, aprender, aprender, aprender. É o melhor combustível.

O Miguel e o Pablo são dois personagens bem diferentes, mas cada um cativante à sua maneira. Meu preferido continua sendo o Pablo… Em algum momento você ficou mais apaixonada pelo Pablo do que pelo sósia do Robert Pattinson?

O Pablo é um fofo e eu costumo tor
cer pelos fofos. Não que o Miguel não tenha seus momentos de fofura. Mas ele é atraente por outros motivos, por ser misterioso, ambíguo, por fazer o coração da Duda virar mil cambalhotas em vez de boiar nas águas calmas dos relacionamentos previsíveis. O Miguel combina mais com a Duda. Pelo menos nesse primeiro livro, onde o processo de amadurecimento dela é mais explorado.

A Duda se sente maravilhada com a liberdade que a maturidade proporciona e tende a preferir as emoções mais intensas. Já no segundo livro…

As maçãs, símbolo de Crepúsculo, viram lembrança nos eventos

Nova York, cidade também conhecida como Big Apple, é um grande personagem na sua história. Você morou algum tempo em NY como a Duda ou viajou bastante para pesquisar enquanto escrevia o livro? Conta um pouquinho pra gente!

Viajar, antes de ser um dos melhores investimentos que uma pessoa pode fazer por si mesma, é uma das minhas grandes paixões. Assim como a Duda, eu estudei em Nova York e foi maravilhoso reviver alguns cenários. Meu lugar preferido é o Central Park e foi por isso que resolvi ambientar nele uma das cenas mais importantes da história.

Todos os pontos soltos, por menores que sejam, são resolvidos ao final da trama. Como foi o trabalho em companhia do editor e do seu agente para deixar a obra mais “redonda”?

A história original não sofreu grandes modificações, o que recebi como um elogio, principalmente vindo do centenário Grupo Editorial Pensamento, que preza pelo perfeccionismo de suas publicações, como a maioria das (boas) editoras comerciais. Quando entreguei o texto final, eu estava preparada para grandes mudanças na obra, para cortes de cenas inteiras ou até pena de morte para alguns personagens. É assim mesmo que o mercado editorial funciona quando se tem o compromisso de oferecer bons produtos ao consumidor. Mas, para minha surpresa, as mudanças internas giraram em torno da continuidade dos acontecimentos, de pequenos furos, como, por exemplo, uma limpada de lágrima sem um choro prévio. As mudanças externas, porém, como título, capa, sinopse, foram minuciosamente pensadas pela editora, um trabalho de equipe que funcionou muito bem.

Carol e sua criação

A Duda é apaixonada pela saga Crepúsculo, especialmente pelo Robert Pattinson, que interpreta Edward Cullen. Ela é capaz de fazer loucuras pelo ator e coleciona tudo que sai da saga. Você já fez alguma loucura por um famoso?

Loucura, loucura, nunca fiz. Mas eu colecionava recortes de revistas, já que, na minha adolescência, o acesso à internet era precário.

Os amigos de Duda são personagens importantes na trama. Eles são inspirados em alguém que você conhece?

Não diretamente. Uma característica ou outra eu roubei de alguns conhecidos. Mas, de uma maneira geral, eles são criações autênticas. Para um autor, é muito interessante poder experimentar outras vidas. Através de uma personagem eu posso amar, odiar, chorar, sofrer e até matar (não que eu tenha vontade de matar alguém).

Você já teve um perseguidor, um cara apaixonado por você que não largava do seu pé, como a Duda teve?


Não! Graças a Deus! Imagina que chato!

Quais são seus próximos planos como escritora? Vamos ter que esperar muito para um novo livro?

O texto original do meu novo livro já está prontinho para ser apresentado. Mas ainda não sei quando será lançado. É uma comédia romântica com mais romance que comédia. O casal principal é muito fofo… Bia e Guga. Aliás, o Gustavo, em minha opinião, é o personagem mais interessante que inventei até hoje.

CQNRP está em destaques nas livrarias do Brasil!

Qual livro você está viciada no momento? Há alguma história que deixaria a Duda tão apaixonada quanto Crepúsculo a deixou?

O último livro que eu li e que me deixou com vontade de tê-lo escrito (porque agora é assim que eu me sinto diante de um bom livro: por que não fui eu que escrevi, por quê????) foi Um dia, de David Nicholls. Maravilhoso, arrebatador, chocante! Estou doidinha pelo fim de Fazendo meu filme. A Paula Pimenta é uma revelação da literatura de entretenimento. E claro, estou completamente surtada pelo novo livro da J.K. Rowling, quase caí para trás com essa notícia! Sei que vou amá-lo antes mesmo de saber do que se trata.

Você planeja algum livro onde os personagens de  Como (quase) namorei Robert Pattinson  retornem?
Como (quase) namorei Robert Pattinson foi escrito para ser um livro único. Mas há pouco tempo decidi que vou escrever uma continuação. Acho que a Duda merece ganhar voz outra vez. Sinto falta dela, das suas loucuras, da sua audácia de fazer coisas que eu jamais faria. Os personagens de CQNRP vão botar para quebrar na cidade maravilhosa. Até o Cristo Redentor vai dizer “Ai, meu Deus!”.

Quem somos

Iris e Olívia são profissionais da área de Comunicação e melhores amigas. Apaixonadas por cultura pop, resolveram se unir para reformular o Literalmente Falando.

 

Converse com elas no @irismfigueiredo e @oliviapilar.

Vídeos
 
Últimas resenhas
Assine

  Digite seu e-mail no campo abaixo para receber um aviso sempre que houver um novo post no blog!  

  Por FeedBurner

Arquivo
February 2012
S M T W T F S
« Jan   Mar »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
26272829  
Publicidade