Daily Archives: 03/02/2012

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Livros são, para muitos, a porta principal do conhecimento. Na teoria, os livros não distribuem um conhecimento mastigado como acontece com a televisão. Para processarmos o texto, precisamos interpretá-lo, colocar nossa cabeça para funcionar e questionar. Isso geralmente está atrelado ao livro porque você precisa fazer várias coisas enquanto o lê: imaginar o universo, interpretar a mensagem do autor… Livros te forçam a pensar e é por isso que em muitas distopias, uma das primeiras coisas a serem proibidas no universo ficcional da história são os livros, que sempre estão ligados a conhecimento e poder.

Em Fahrenheit 451, Ray Bradbury nos mostra um universo onde os bombeiros, ao invés de apagarem incêndios e salvarem vidas, usam o fogo para queimar livros. Não é que o governo não goste deles, mas como o povo acabou se desinteressando por atividade mais sérias como a leitura, eles acabaram abolindo esse tipo de atividade e designando os bombeiros para queimarem os livros do mundo.

O que é vazio e efêmero vale mais, pensar é perda de tempo e família são apenas os atores que vemos na TV. E é tão agonizante assistir como os personagens são vazios, como as coisas são passageiras.
Aliás, passageira é uma palavra que eu usaria para definir o livro. É tudo tão rápido, escapando diante de nossos olhos. As cenas se desenrolam de forma ágil, Bradbury não desperdiça palavras para demonstrar o mundo de desperdícios que sua história se situa. O livro é uma distopia clássica, dessas que influenciaram muitos autores de agora (anote aí mais uma para a lista).

Fahrenheit 451 só me fez pensar em livros: sua importância, como eles abrem nossos pensamentos e como podem ter o poder de acender uma chama que todos nós temos. Os questionamentos que o protagonista tem podem até passar muito rápido durante o livro, mas eu pensei até mesmo naquela nota na VEJA em que o jornalista dizia que era desnecessário ensino obrigatório de matérias como Filosofia ou Sociologia, que estávamos apenas formando comunistas. Ray Bradbury fala um pouco sobre pensamentos como esse, mas em forma de ficção.

Me intriga o poder que os livros e o papel vilanesco que a TV acaba atingindo nesse tipo de obra. É um pouco sobre filtros e como você recebe a informação. Mas o autor também critica obras rasas e que não levam o leitor a refletir. São algumas alfinetadas que encontramos no texto.

Alguém comentou no blog esses dias sobre o papel da Clarisse no livro – que é, para mim, o mais importante – e a figura feminina na obra de Bradbury. Há poucas mulheres porque essa não é uma história de gênero, mas sim sobre ideias. Pouco importa se elas são difundidas por homem ou mulher, isso não faz diferença. Uma mulher tem papel decisivo – e se ela não aparece mais na história, é porque sua parte já foi cumprida. Outra mulher parece alienada, mas os papéis de ambas poderiam ser representados por ambos os sexos.

Eu gostei muito de Fahrenheit 451 e ele me deixou cheia de ideias pipocando na cabeça, questionamentos e pensamentos sobre o que o autor falou – o que eu acho que vale a pena ou não. O livro é muito rápido, não é repleto de floreios nem nada disso, mas a história é muito interessante. Não é sobre romance, mas sim sobre a forma como vemos o mundo e sobre como nossa mente se abre. É uma leitura bem simples, embora o conteúdo tenha mensagem a transmitir e a narrativa de Bradbury seja frenética. Para quem gosta de distopias, não dá para deixar de ler.

Quem somos

Iris e Olívia são profissionais da área de Comunicação e melhores amigas. Apaixonadas por cultura pop, resolveram se unir para reformular o Literalmente Falando.

 

Converse com elas no @irismfigueiredo e @oliviapilar.

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