Daily Archives: 22/06/2011

Nana – Ai Yazawa

Vou ter que usar uma frase de advertência para iniciar esse post: Senta que lá vem história. Devidamente sentados, vamos lá… Não posso começar esse post sem situar todo mundo.
Sempre tive muito preconceito com mangás, animes e derivados. Pronto, falei. Pra mim era tudo igual Naruto e Dragon Ball e ai de quem tentasse me convencer o contrário. Coloquei na minha cabeça que não gostava e ponto final. Nunca procurei saber mais sobre isso e sequer sabia que havia divisões nisso tudo. Achava tudo muito estranho e esquisito, virava o nariz e passava longe. Imaginar que existiam histórias mais femininas e sem nenhuma cena de luta? Jamais. O que agora me parece cômico… Afinal, é idiotice pensar que todo mundo vá gostar de um único tipo de história. Porque não existem livros de apenas um gênero, não é mesmo? Porque seria assim com mangás?

Eu tenho uma amiga que ama coisas da cultura japonesa (é a Lizie e ela também tem um blog, vai lá). Ela começou a falar de vários animes e mangás para mim e no meio da conversa surgiu Nana. Ela tentava me convencer a todo custo que a história era boa. No meio da empolgação, acabei me interessando e fui procurar para comprar, mas não achava o primeiro volume em lugar algum. Deixei para lá.
Semanas atrás, a JBC entrou em contato comigo para um assunto e acabei comentando que estava com vontade de ler Nana, mas não encontrava o primeiro volume para vender, pois estava sempre esgotado. Passaram-se uns dias, chegou uma caixa com os 21 volumes publicados no Brasil. Nem preciso dizer que devorei, não é?
Nana conta a história de Nana Oosaki e Nana Komatsu (cujo apelido, Hachi, significa “8″ e é um nome comum em cachorros). Nana também pode significar “7″. Ambas são completamente diferentes, tendo em comum apenas o nome. Vindas de lugares distintos, vão para Tóquio, cada uma em busca de uma coisa e são unidas de forma curiosa pelo destino.
Enquanto Hachi tem sonhos mais comuns, Nana quer montar uma banda. Enquanto Hachi se apaixona facilmente, Nana nutre um amor de anos por Ren, que a abandonou para tocar profissionalmente em uma banda em Tóquio. Em resumo, ambas são bem diferentes mas são unidas de forma casual pela vida e acabam dividindo o mesmo apartamento. Eis que uma amizade inesperada surge, mas completamente verdadeira. E é nesse ambiente que Nana é estruturado.
Existem muitos personagens bons na história. Além das Nana’s, todo o elenco secundário é explorado e acaba aparecendo bem. Os personagens são cheios de nuances a serem descascadas e isso é ótimo. Durante toda a leitura eu pensava: “oh meu Deus, isso podia ser um livro”.
Eu gostei tanto do Takumi, do Yasu, do Ren, do Shin, do Nobu… De todo mundo! Eles são completamente diferentes entre si, cada um com características marcantes. Existe muita veracidade neles. Eu fiquei admirada como a autora conseguiu explorar essa variedade na personalidade deles construindo apenas com desenhos e falas, já que o mangá não vale de descrição como os livros. Foi uma experiência muito legal.

Não quero contar sobre a história, mas o ambiente rock’n'roll e os problemas dos personagens ficaram bem verídicos, e mesmo sendo uma realidade distante da minha, consegui me identificar.
Existe romance no mangá, mas não é o foco mesmo sendo importante. O que realmente importa aqui é amizade entre as Nanas. Adorei isso. E os personagens principais estão longes de serem mocinhos e mocinhas perfeitos.
Ele tem momentos de comédia, mas muitos momentos de drama. A história é linda e com muitas reviravoltas, sempre mostrando o valor da amizade. Como já disse, os personagens são bem humanos. Uma coisa que a autora faz uso é de puxar uma situação lá na frente entre os volumes e você acaba se desesperando para saber como as coisas foram parar daquele jeito.
A série ainda está sendo escrita, mas provavelmente já caminha para um final. Porém, há um grande porém: Yazawa está doente e o último volume que ela escreveu antes de adoecer foi o mais crítico de todos. Sério! É como se J.K. Rowling houvesse ficado doente após escrever Enigma do Príncipe e, embora você desconfie do que vai acontecer em Relíquias da Morte, você precisa que ela escreva logo, mas não há a mínima previsão para isso. Entenderam a tensão? Chegaram a anunciar o volume 22 para o ano passado, mas nada… E se a mulher bate as botas? Como eu fico depois daquele final do volume 21?
Preciso que a autora fique boa rapidinho, pelo menos para terminar a história. Porque a história pausa em um momento tão crítico que se lançasse amanhã em japonês eu acho que tentaria aprender só para ler – ok, é um exagero.

Eu realmente não pensei que fosse dizer que essa história é muito boa, mas é (tirando a Reira que é UM SACO, mas nem tudo é perfeito). Gostei muito da linguagem e foi uma experiência única, um bom começo com mangás. Aceito sugestões.
Existe um filme e um anime para Nana. O live action é estrelado por Mika Nakashima e Aoi Miyazaki. Eu não assisti então não posso opinar, mas o cast é bem parecido com os personagens do mangá e pretendo ver em breve.
Pelo que sei, são dois filmes, mas não posso dizer – ao menos por enquanto – se ele é fiel ou não. Pelo menos o cast é bem parecido com os personagens. Preciso dizer que não estou muito empolgada para assistir porque eu tenho um pouco de cisma com a
atuação exagerada dos japoneses, fica bastante caricato… Mas enfim, já quebrei um preconceito aqui, não é mesmo? E não é como se esse fosse o primeiro filme “de olhos puxados” que eu vá assistir, então… Já estou familiarizada e conquistada pela história.
Para quem estiver curioso, segue abaixo o trailer do filme (tem o filme inteiro legendado em português no youtube e deve ter em algum lugar para baixar):



Agora sobre o anime… O que mais tenho ouvido são indicações para correr e assistir, o que pretendo fazer nessas férias. Ao que parece, será ou foi exibido esse ano pela MTV Brasil. O que não adianta nada, já que na Sky não pega MTV…

O anime tem 47 episódios e estreou no Japão em 2006, mas assim como o mangá, não tem um final (ai meu Deus, fica curada logo, Yazawa). Estou morrendo de vontade de assistir. Coloquei a primeira parte do primeiro episódio (em inglês) para quem quiser assistir.

Como disse, não entendo nada de mangás. Tentei fazer o post bem completo para quem é leigo no assunto como eu. Quem ficou curioso, dá uma chance. A história é tão boa que mesmo quem não curte pode acabar gostando dela no geral. E é muito rapidinho para ler, já que lia cada volume em mais ou menos meia hora… Tranquilo, não é?

Meu nome é Iris Figueiredo, tenho 21 anos e me formei em Comunicação Social pela UFRJ. Sou autora dos livros Confissões On-Line e Dividindo Mel. Além dos livros, também sou apaixonada por músicas, filmes e viagens. Esse é um espaço criado para compartilhar um pouco sobre tudo isso. Saiba mais.


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"Confissões on-line" é meu segundo livro e foi lançado em novembro de 2013. Saiba mais

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