Daily Archives: 03/03/2011

Espera – Maggie Stiefvater

Atenção: Essa resenha contém spoilers de Calafrio. Clique e leia a resenha do primeiro livro da série.

Mais uma vez não sei como começar a falar sobre esse livro, pois Maggie Stiefvater consegue traduzir conflitos psicológicos e situações que geralmente seriam pesadas de um jeito delicado e único.
Após Sam curar-se do que o transformava em lobo, ele passa a visualizar um futuro de possibilidades com Grace. Ela também. Só que mais uma vez o destino prega uma peça nesse casal e Grace começa a sentir dores que nunca sentira antes. Além disso, tem que lidar com a relutância de sua família ao seu namoro com Sam, enquanto ele não consegue se separar da matilha.

Ocupando o lugar que Beck deixou vazio, Sam espera os novos lobos transformarem-se em humanos e tenta ajudá-los a manterem seu corpo. Só que há um novo lobo que quer ser permanecer assim para sempre, fugindo de seu passado. Esse lobo é Cole, que começa a chamar atenção de Isabel. Ela ainda está ferida pela morte do irmão e juntos eles também vivem um relacionamento complicado.
Agora a série ganha dois novos narradores: Cole e Isabel juntam-se a Sam e Grace para contarem essa história de amor e acrescentarem a deles. O excesso de narradores poderia ser um problema, mas em nenhum momento há conflitos e é interessante ver como uma mesma cena se desenrola na cabeça de diversos personagens diferentes. Além disso, diferentemente de um livro narrado em primeira pessoa por apenas um narrador ou de um livro narrado em terceira mostrando vários pontos de vista, há uma qualidade aqui. Você vê várias situações diferentes e conhece vários pensamentos diferentes, fazendo um “mergulho” na mente dos personagens.
Enquanto Sam e Grace são calmos como uma brisa, Isabel e Cole são como um furacão. Cada vez que entram em cena para narrar, sentimos uma espécie de dor diferente da que Sam e Grace precisam conviver. A dor de Isabel e Cole é completamente oposta a deles, e ainda assim, parecida. Porque ambas são reais e mostram que por mais fantasmas e problemas que todos tenham de conviver, no fim das contas todo mundo está no mesmo barco: a vida. E ela, infelizmente, não é perfeita. Mas pode ser boa dependendo das escolhas que fazemos ao longo da nossa trajetória.
De início, eu não sabia muito bem o foco que Maggie queria dar ao livro e isso me incomodou. Mas logo notei que na verdade, tanto o relacionamento de Grace e Sam quando o de Isabel e Cole tinham um nível de importância para a história. Ambos opostos e belos a sua maneira. Confesso que demorei um pouco a engatar a leitura desse livro, mas quando consegui, foi maravilhoso.
Como comentei no início da resenha, a forma como a autora conduz os conflitos dos personagens é fantástica, pois ela acerta a mão para tratar de assuntos por vezes pesados de uma forma que não choque o leitor. Ela faz você refletir sobre como seria estar no lugar do personagem e sentir o mesmo que ele está sentindo na pele.
O relacionamento de Grace com os pais complica nesse volume e é por vezes doloroso ver como ela reage a isso. Ela sempre sentiu-se excluída da família que seus pais formavam, e agora que eles tentam impor regras para ela sem terem marcado presença efetiva em sua criação é visível. Achei essa abordagem muito interessante, pois vários jovens tem os mesmos problemas com os pais. Muitos pais são ausentes, achando que seus filhos se criam sozinhos. Quando eles são perfeitos, não se importam. Basta cometer um erro que não sabem dialogar, mas querem impor sua autoridade sem nunca terem feito isso antes. Gostei da forma como a autora mostra essa situação.
No outro extremo havia os pais de Sam e as memórias dolorosas que ele carrega desde a infância. Maggie molda Sam através dessa situação e seus medos são justificáveis por causa disso.
Aliás, todos os personagens principais possuem problemas de relacionamentos com os pais, o que me leva a pensar se talvez a própria autora não tenha tido seus conflitos com seus próprios pais.
Há um quê humano e real em cada um deles – por você conhecer não apenas os personagens no agora, mas é como se eles já existissem antes de serem postos no papel. Nenhum deles é perfeito, nenhum deles é totalmente bom ou ruim. São humanos. E essa construção dos personagens eu destaco como um dos pontos mais fortes da série.
A única coisa que reclamo é que o livro demorou um pouco a pegar o ritmo, mas ainda assim, nada que atrapalhe a leitura, pois a escrita da autora é muito gostosa.
E o prólogo! Não posso esquecer de falar do prólogo! Não leiam o prólogo antes de terminar o livro. O prólogo é lindo, mas pelo menos no meu caso, senti que estragou boa parte da surpresa do livro e a leitura teria sido mais empolgante ainda se eu já não esperasse o que estava por vir.
Mais um comentário que tenho a fazer é sobre a capa e a diferença de tamanho para Calafrio. Para muitos, isso não interfere. E realmente, a capa de Espera é linda e o que importa é que o conteúdo também é. Mas há um contra: quando falamos de uma série, espera-se que mantenha a padronização. Pois nem todo mundo fica ligado em sites sobre livros ou lançamentos por aí, e muitas vezes nem sabe que o livro tem uma continuação – ainda mais que o final de Calafrio é bem amarrado. Isso pode atrapalhar muitos leitores até que eles descubram que Espera é a continuação de Calafrio. Outro dia uma leitora do blog comentou que nem mesmo sabia se lançariam a continuação no Brasil, sendo que já foi lançada. Porque pela capa ser diferente, muitos não sabem. E nem todos conhecem as capas originais, então não “adivinham”. Mas esse é um problema isolado, até porque a capa como unidade é muito bonita! Mas gostaria de ver o sentimento desse livro traduzido de uma forma singular como foi feita com a capa nacional de Calafrio, que amo.
Não há dúvidas que recomendo! É um livro tão bom – se não melhor – que seu precedente, coisa rara de se ver quando se trata de séries atualmente.
Quem somos

Iris e Olívia são profissionais da área de Comunicação e melhores amigas. Apaixonadas por cultura pop, resolveram se unir para reformular o Literalmente Falando.

 

Converse com elas no @irismfigueiredo e @oliviapilar.

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